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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

** O BRASIL PERDE UM DOS SEUS PRIMEIROS DJ´S ( DJ GREGO VALEU POR TUDO ) **


“Mans!” Consigo ouvir seu bordão mais famoso direitinho, como se ele estivesse aqui do lado. Mas o DJ Grego não está, nem estará mais do lado de ninguém nesse mundo. Ele faleceu na tarde desta quinta (16), no seu apartamento em São Paulo, de causas ainda desconhecidas. Tinha 53 anos e deixou dois filhos.

Que 2010 é esse, que nos tirou Ricardo Guedes e agora leva o Grego embora!

Difícil, ainda mais nesse momento, sufocado pela tristeza, resumir em palavras porque o Grego era tão especial.

Como amigo, ele, que nasceu mesmo na Grécia, batizado Ippocratis Bournelis, era generoso, leal, divertido, apaixonado, carinhoso, carismático, gentil, falador, festeiro e barulhento (apropriadamente, só escrevia com o CapsLock ligado).

Como DJ era simplesmente um dos melhores e mais importantes que já passou por esta terra. O Grego começou a tocar na largada dos anos 70. Foi por acaso, que era como rolava nesse tempo em que “DJ” e “carreira profissional” nunca estavam na mesma frase.

Logo, ficou evidente que ele tinha jeito pra coisa. O amor pela música já existia no sangue, claro, mas foi na discotecagem que ele encontrou o veículo perfeito para expressar esse sentimento.

E se tornou um dos melhores, senão o melhor do país. Tocou nas principais casas de São Paulo nos anos 70. Lançou um dos primeiros vinis mixados do país. Se chamava Maestro Mecânico e trazia umas dez faixas (metade de cada lado) sem interrupções. Na contracapa, fotos dele novinho (nem 20 anos tinha) no seu habitat natural: a cabine de som, que naquela época, significava um paredão com luzes, gravador de rolo e móvel de aço escovado.

Se nos anos 70, Grego virou rei em São Paulo, nos anos 80 seu reinado se estendeu pelo Brasil. Fazendo a transição, naquele tempo ainda rara, da cabine para o estúdio, Grego abraçou a arte da edição e do remix. Não era para os fracos: em tempos onde não existia software, os trabalhos eram fruto de pacientes horas e horas cortando e emendando pedaços de fita com gilete e fita adesiva. Logo, também passou a usar acessórios como bateria eletrônica e synths.

Seus edits viraram uma série de vinis chamados Montagens Exclusivas. Rapidamente, ele virou O cara no Brasil para reconfigurar músicas para a pista de dança.

Choveram trabalhos de remix para artistas como Kid Abelha, Metrô, Leo, Jamie e Gilberto Gil. Seu trabalho mais famoso foi para “Loiras Geladas”, do RPM. A música foi talvez o maior hit brasileiro de 1985, não o original, mas o remix do Grego.

Depois desse pico de produção e criatividade, os anos 90 viram Grego envolvido mais com trabalho ligado ao business musical. Ele morou em Miami um tempo e ficou de fora dos novos desdobramentos da música eletrônica por um tempinho.

Na década seguinte, o nome do DJ Grego correu risco de ficar esquecido na mal contada história da dance music no país, lembrado só pelo pessoal que estava no meio há mais tempo. Clau Assef, com seu livro Todo DJ Já Sambou, contribuiu muito para que o nome do DJ Grego fosse resgatado e apresentado às novas gerações.

Nos últimos anos, seu gás criativo parecia renovado. Inventou projetos musicais, gravou faixas e remixes (quase sempre ao lado do jovem parceiro Anthony Garcia), começou a tocar mais por aí e montou um programa de TV online filmando DJs que iam tocar na sua casa. Sempre com tesão, sempre com entusiasmo.

Casa essa que vivia cheia de gente, de parceiros das antigas a aspirantes que iam lá em busca de aprendizado e inspiração. Ao contrário de muitos de seus contemporâneos, sempre resmungando sobre a cena atual, Grego curtia se conectar às gerações mais novas e ficar por dentro do que rolava. Ao mesmo tempo, sempre preocupado em manter viva a história e os fundamentos da cultura do DJ, da noite e da pista de dança.

Mans, a saudade que você vai deixar não tem tamanho. Mas tenha certeza que, pra todo mundo que tem amor por tudo isso que você ajudou a criar, você vai estar sempre por perto.


Fonte: http://bateestaca.virgula.uol.com.br/2010/09/17/rip-dj-grego/comment-page-2/#comment-1480

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

** O Primeiro DJ do Mundo, sera ??? **

Klaus Quirini alega que foi o primeiro DJ do mundo. Obviamente esta é uma afirmação extremamente duvidosa que nunca ninguém vai conseguir provar, mas até agora ninguém se queixou, portanto vamos ter de aceitar. E por que não?



Reza a lenda que uma noite Klaus se deparou por acaso com uns toca-discos, adotou a alcunha de DJ Heinrich e deu início à uma nova era. Já que não fazemos ideia do que era entretenimento na Alemanha do pós-guerra e estamos interessados em saber o que um cara de 67 anos tem a dizer sobre o que é ser o pai da cultura DJ, encontramos com ele para uma conversinha.

Vice: Como foi a sua primeira noite como DJ?
Quirini: Foi em 1953. Na época trabalhava como jornalista. Tinha acabado de fazer 18 anos e fui até um clube de dança (a palavra “discoteca” ainda não tinha sido inventada). De acordo com a lei eu ainda era menor, mas estava bêbado de uísque. O cara da Ópera de Colônia que estava cuidando da música nessa noite era muito chato, por isso eu e os meus amigos estávamos causando uma certa confusão. O dono do clube veio falar com a gente e disse que podíamos cuidar da música, já que achávamos que conseguíamos fazer melhor. E foi isso que fizemos.

E o que aconteceu depois?
Comecei a minha performance com as palavras, “Senhoras e Senhores, agora vamos inundar esse lugar” e toquei uma música sobre navios. As pessoas adoraram e aplaudiam tudo o que tocava. No fim da noite, o dono veio falar comigo e me ofereceu 800 marcos alemães por mês. Era muito dinheiro para época, isso foi logo depois da guerra. O meu pai me disse para arranjar um nome artístico, já que ele era um dos fundadores do Deutsche Bank e não queria o nome Quirini associado a esse tipo de coisa. Foi por isso que me apelidei de DJ Heinrich.

Quanto tempo demorou até os primeiros caras te copiarem?
Cerca de um ano. A palavra “disco” surgiu do nada e assim de repente já tinham 42 discotecas em Aachen, o que é impressionante para uma cidade com 250.000 pessoas. Hoje só restam quatro discotecas.

Os DJs de Aachen já eram baladeiros como os DJ de hoje?
Completamente. Eu dançava todas as músicas, às vezes até ia para o meio da multidão. Era por isso que tinha sempre duas toalhas junto à minha mesa, você pode imaginar o calor que eu sentia tocando música de terno e gravata. O
dress code era muito importante, muito mais do que hoje em dia, claro. Uma das coisas em que reparo é que os jovens de hoje se vestem muito pior do que antigamente. Se prestassem mais atenção àquilo que vestem, garanto que iam ter mais sorte com as mulheres.

E você, tinhas muita sorte com as mulheres?
Os tempos eram outros. Me casei aos 22 anos. Às quatro da manhã já estava satisfeito por aquilo ter acabado e poder ir para casa. A mentalidade também era diferente. Eu me via mais como um substituto para artistas, ou um fornecedor de serviços que tinha uma responsabilidade com a sua audiência, como um garçom que serve uma garrafa de champanhe.

Chegou a aprender os truques mais recentes dos DJs? Tipo remixes e scratching e essas coisas?
Não, isso já foi muito depois do meu tempo. Deixo isso para o Sven Väth e outros caras assim. O que me interessou mesmo na época foi quando começaram a aparecer os primeiros efeitos visuais, nos anos 70. A música dos discos é algo morto, sem vida, que tem de ser ressuscitado pelo DJ. Nos anos 70, as coisas começaram a se desenvolver mais para o lado dos efeitos. Os efeitos de luz e efeitos visuais eram mais interessantes do que falar com a audiência. O scratching só começou nos anos 80, e vem depois de todo esse movimento.

E quais são os seus hábitos musicais, hoje em dia?
Nós crescemos com a música, mas ainda gosto dos Beatles, dos Stones, da música da minha juventude, entende? Muita gente continua a me mandar discos, mas eu nem ouço a maioria deles. Há uns tempos atrás um jovem músico, cujo nome já não me lembro, veio falar comigo e eu disse para ele, “Olha, cara, a música que você faz é péssima”. Uns meses depois ele era disco de platina. Realmente os tempos mudam.

Qual foi o pior pedido que te fizeram enquanto DJ?
Na verdade não me lembro de nada assim muito maluco. Acho que tem a ver com a época, antes as pessoas me respeitavam muito e eram sempre simpáticas comigo, assim como eu era com elas - nunca neguei um pedido de música. Eu estava provendo um serviço, não podia negar, entende?

FELIX NICKLAS

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